Saturday, March 17, 2007

R.I.P at while, dear phoenix



















............................Recesso!















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Saturday, January 27, 2007

Porque superstição da azar...

Seres animados humanamente, por vezes muito desanimados e crédulos se põem em modo randômico de vida e passam os dias como roletas russas, com suscetividade de atos e ações alucinadas e nonsense. Quase sempre essas mal iluminadas auras carnais se apegam as crenças insípidas, tornando-se assim pessoas insossas. Digo em alto e bom tom: Ter simpatias dá azar, principalmente se o individuo supersticioso as praticar em noite escura de lua nova; dá muito azar! Contra tal azar, só enterrando uma garrafa de cachaça embaixo da casinha de um cusco sarnento, deixando-a ficar por lá até a próxima lua cheia, então a retirar de lá e beber tudo em um só gole.

Diz-se por aí que nem gato preto em noite de lua cheia escapa de tal azar não se redimindo da forma indicada acima; és antipático com a superstição? Então a superstição não simpatiza contigo!
Avistam-se as apostas da casualidade e sobre ela se atira inúmeros maus agouros pra que de antemão fique estipulado o motivo do fracasso.

Gato preto que passa por baixo de escada com uma figa pendurada no pescoço, um trevo tetra foles colado no pelo e um uma pata de coelha na boca (de preferência sem o coelho, mas se o coelho estiver fazendo companhia à perna, melhor que esteja morto, senão a coisa desanda) não vira gato escaldado!

Refutemos então todos os presságios científicos. Fiquemos com as certezas mitos! São tão mais românticos. Neguemos toda e qualquer ironia em dia de chuva com temperatura de 18 graus; de fato quem as faz acaba sendo atropelado por bonde.

Quem, de maneira aguerrida se apega às intempéries da sorte nunca se perde nos traços tortuosos da vida. Se você apostar em jogos de azar e neles se jogar de forma a deles. Ter sorte nos jogos de azar é a certeza, a dúvida é saber quando o título deixará de falar mais alto e a boa providência retumbará sobre as cálidas derrotas. No giro da roleta a sorte é jogada ao encontro do azar, da roleta sai a bala, roleta pode matar.
Pra isso não acontecer alguns crêem que uma superstição simpática age como antídoto. Se jogar, embriague-se tanto a ponto de não lembrar nada no dia seguinte, assim, poderá fácilmente por a culpa em uma escada a qual passou-se por baixo, um gato preto, um espelho quebrado ou uma estrela cadente ignorada sem pedido. Perdição, caída à superstição!

Friday, January 19, 2007

Consciência concisa?

Sarah Váh casa-se com Al Osama da Silva, no Oriente Médio, casamento este feito pelos pais dos noivos, estes que por suas vezes nunca se viram na vida, mas são fadados a contraírem núpcias. Al Osama da Silva torna-se um marido infeliz e passa a procurar em várias outras – harém- uma suposta satisfação, fazendo de Sarah Váh seu capacho pessoal, humilhando-a, espancando-a e tirando qualquer sopro de vida própria de tal. O que aconteceu a eles é algo que têm que aceitar pois foi resultado de suas escolhas tal infelicidade. Pois sim!

Há algumas décadas uma cidade industrial sem nenhuma expressão política em uma ilha de gente amarela de olhos puxados é atingida por uma ogiva nuclear – vulgo Bomba atômica, para os íntimos.
Todo o ocorrido com cada cidadão foi culpa de suas escolhas e anseios pessoais. Escolheram câncer, gangrenas seguidas de amputações, deformidades, mil anomalias e outras delícias destas para si e seus descendentes? Claro que sim!

Um casal resolve se separar – Oxalá fossem Sarah Váh e seu dedicado marido, mas esses não o podem. Quanto a separação também não me refiro a irmãos siameses nascidos na ilha acima aludida – apenas mais um casal comum, daqueles que têm em suas rotinas uma guerra; compartilham um filho – ignora-se a idade – que por vezes é aliado, outras inimigo; isso quando não lhe recai o fardo de espião ou sabotador. Suponhamos que tal casal se separe e um, ou ambas as partes comece a fazer maldades para o rebento com o intuito de atingir o (a) ex, então com base nas afirmações fica claramente óbvio de quem é a culpa pela desgraça diversamente escrutinada que o descendente tem por vida: O próprio. Tida a máxima de que todo e qualquer mal que se passe em vida é decorrência de escolhas e ações do mesmo âmbito, sabe-se de pronto que o infeliz sofre e o merece por ser parte da cadeia trilógica. Quem mandou ter nascido? Não nasceu porque quis? Agüenta!
Insuflou-se o ego da sumidade que defendia tal tese sem questionar , vede bem, é generalizada. Mas afinal de contas, pensar não é dolorido demais? Brindemos então tal cegueira desnocionizada do Dr. Sig! Lacan que se exploda! "O inconsciente determina a consciência? Ora bolas!

Na ciranda da banalização da vida e existência banalizou-se os inícios e fins. Os meios não se declaram mas garanto que fedem; mas o cheiro se dissipa ou pelo menos disfarça com pão, vinho, algumas "aleluias" e diversidades sacras que mais enchem o sacro do que o saco de sacrilégios que se fomenta mais e mais. Não esqueçamos também a contribuição amiga para Deus pagar seu aluguel. Deus, multi assessorado por seus subservientes da boa fé mantêm suas casas e cada vez adquire mais, portanto, quanto mais contribuintes houver, melhor será. Camisinha? Assim nascerão menos! Casamentos homo gêneros? Assim não nasce nenhum. Padres se casando? Mas e se a família tomar posse dos bens da sagrada Besta (Lê-se Papa)?
É, já se viu alguma empresa de cartões–de-crédito fomentando a massa socialista? Não. Melhor a desigualdade que lhes financia e engorda os cofres.
Como são as empresas de cartões-de-crédito são também as igrejas. Hei de sugerir a criação do Jesus Card International. Opa! Ei de lembrar-lhes que no décimo quinto dia o Senhor retirou de sua santa carteira um protótipo de cartão e o batizou como tal, dizendo logo após: "No futuro o homem saberá que todo o mal e desgraça que incidirem em suas vidas terá sido por culpa única e exclusivamente do próprio; mas como minha benevolência não tem limites darei-lhes Jesus Card International para que possam organizar e conviver melhor com seus pecados. Pagarão penitência de vinte ave-marias em dez vezes com juros baixíssimos qu serão cobrados junto a mensalidade dizimal. Agora, desfaça-se a luz, desliguem-se as câmeras e me deixem só pois descansarei!"

- Jesus Card International, aceito em todo o território do criador.

- Em breve o inovador e sacro programa de milhagens e pontos, comece já a pecar mais e garanta pontos suficientes para trocar por um abate no preço de seu terreninho no céu!

Friday, January 12, 2007

Ademais, nada mais.

Alvejai o ópio
Com a arma do ódio
Proclamai a morte
Perca teu viço e tua sorte
Derramai moral
Poetinha vil
Ex-fenomenal
Porquanto ainda existiu
Lava tua voz
Tua cara nem ouço
Di-me quão atroz sois
E de ti não mais posso
Brindo a desventura
De paixão perdida
Faça tudo errado
E ponha a culpa na vida
Agora que o medo
Devora-te a alma
Guarda meu segredo
E vê se dessa vez não falha
Ou ralharei contigo
Isso não é bobagem
Redimo-te e presenteio
Com o torpor da eternidade
Agora que estás forte
Tendo o pão comido
Agora que sorri
Achando ter vencido
Vá com tua turma
Sem pedir razão
Esqueça minha alma
Devolve minha solidão
Já que farei parte
Só do teu passado
Já que assim parto,
Pelo quente asfalto
Queime sol, meus pés.
Só assim vou parar
Seca sol: minha dor.
E nunca mais me deixe sonhar
Eu que sou tão fraco
Em toda minha força
Nas cenas do futuro
Cerre agora a cortina
E que mais ninguém me ouça.

Wednesday, January 10, 2007

Inquisição anti-humana

Moralistas pregam as leis a serem seguidas, se esquecendo que nenhum material ambulante segue tudo a regra sem nunca aderir ou ser persuadido por fatores exteriores. Tudo influi em tudo, e nada passa ileso ou totalmente integro.
Uma idéia se torna outra em simples frações quase que nulas de segundo, mas a quase nulidade já é algo e não um vazio – este que por sua vez tende a ter exacerbada credulidade em fé, mas que pouco se sabe de tal. Para todos os efeitos, para todos os desafetos baixamos a fronte e acatamos as leis, sendo elas terrenas ou até mesmo de natureza não táctil – como os surrealismos de crenças religiosas.

Em Wonderland tudo seria perfeito, não fosse pela carga existencial desse Tudo que fez com que a totalidade fosse vislumbrada na obra como um caos. Bem, para os de lá aquilo é praticamente a mais adequada das realidades, até por que não sabem da possibilidade de outra, ademais os “quiçás” de um ou outro sonhador, como aqui. Esta é a realidade perfeita, de múltiplas concepções e idealizações. Aqui o inferno e paraíso são a mesma coisa, muda-se o prisma, mas não a realidade e tudo é igual. Tudo é perfeito e tudo é desastre.
Não rogo pelo conformismo, longe de mim fazê-lo - mas também acho que a revolta deve ter motivos detalhadamente perfeitos e bem explicados, até mesmo para cada um dos que não acham que tudo está certo. Então nisso, vejo pelo menos para mim que a única forma de se mudar algo é mudando, dentro de si, não passo a passo, por que a demasiada calma é estagnante e dura. Mas abruptamente invencionista. Todos têm o poder de fazer tudo, mesmo que apenas na resolução surreal, como sonhos. Mas transpassar isso para a realidade é fato deveras simples. Basta mudar a forma de encarar e ver as coisas, fazer por si e não cair no costume de aceitação totalitária, pois isso é câncer de vida. Hora após hora, minuto após minuto, mas tudo sendo feito como a real unidade por guiá-los?! Oh, isso é a maior macaquice que há, daqui a pouco dirão que comer merda faz bem e que se comer um pouquinho de cada vez nem se sentirá o asco; um pouquinho de merda de cada vez e tudo se resolve? Não! Tudo de uma vez só.
Mudanças de uma vez só. Por isso que nenhum humano real até hoje conseguiu mudar porra nenhuma, e por isso a necessidade do credo em superiores que muito fizeram e que até mesmo modificaram tudo as suas voltas. Oras, mas até assim não eram eles normais, parte do que todos são. Não eram completamente humanos e os que foram não passam de especulação e teses maravilhadas e utópicas como sendo um arremedo do que se é no real, como sendo eles um esboço da perfeição. Tal ideal realmente é possível? Não seria melhor, mais palpável crer em perfeições – mais ainda: “quase perfeições” – mas não de forma completa, mas sim em partes específicas, como máquinas, cada uma tem a melhor peça que existe e por isso faz o melhor trabalho, com o melhor desempenho e produção. Várias unidades bem executantes do que se propõe forma um todo quase perfeito ou com a junção de potenciais diferentes resultando uma máquina excepcional.
Tende-se a crer em tudo como forma de reclamação e contentamento com as limitações, por isso acredita ou se admira demais super-heróis, entidades extra-humanas e outros embustes que fora do mundo literário ou cinematográfico é apenas piada não cabíveis, e mesmo se fosse cadê estrutura para comportar tais qualidades? Somos humanos – nem todos agem como tal, mas para exemplificar fica mais fácil assim – e nisso temos que conviver com limitações e as enfrentá-las como em guerras. Batalhas existem, mas sempre para enfatizar e suprir egos enormes e satisfazer ambições egoístas, e nunca até hoje tomadas como aula de garra, persistência, coragem, segmentação e sedimentação de ideais positivos e altruístas – egoísmo demais faz mal, altruísmo demais é utopia, logo, se deve ter as duas coisas em suas respectivas dosagens. Como se, por exemplo, cada parte do corpo tivesse uma voz ativa: A boca tivesse vontade própria; os olhos idem, as orelhas e outras partes assim por diante, ibidem; e elas pelo intermédio do controle de execução, cérebro, dessem comandos esparsos e egoístas e nisso guerreassem entre si. A boca ordenaria mais energia para si para trucidar alimentos mais consistentes e ter mais tônus e vivacidade para a sedução; as orelhas interessadas na espionagem de tudo à volta também comandariam o cérebro para que seu potencial fosse aguçado; os olhos por sua vez fariam algo similar, assim todas as funções em conflitos egoístas entrariam em batalhas, mandos e desmandos e assim a catástrofe estaria formada. A batalha da hipotrofia contra a hipertrofia no campo corpo humano.
A unidade corporal é algo que transcende a atavismo e por isso o organismo corporal humano funciona tão bem; quando há disfunções, simplesmente adoece.
Se pessoas encarassem a existência como unidade – não digo que todos se amem, isto seria hipocrisia, há diferenças. Mas trabalhassem juntos para o bem de todos e deixassem cada um conciso em si com paz para tal – tudo fluiria de melhor forma.
Mas vaidade, oh vaidade, existes. Obesidade também, e muitos lutam contra ela com sucesso, talvez por vaidade...
Mas preguiça, também existe. Mas muitos a ignoram ou então têm preguiça de pensar em outra forma de vida.
Assim o que vejo é que tudo faz parte de tudo – sem bancar profeta do óbvio ou fazer discurso de miss – toda a existência é intrínseca do que existe e há reciprocidade de noção disso entre as partes, apenas precisa-se atentar-se aos fatos e ideais, abrir os olhos e fechar a boca de vez em quando.

A quimera seria tal que o mundo entraria em colapso, pois nada mais haveria para ser feito ou então se mudaria constantemente o ideal regente de perfeição. O que há; o que existe, o que existiu e o que existira será sempre perfeito para o momento vivido.A única dúvida que tenho é se as pessoas têm a iluminação suficiente para perceber tal. Ou então é mais conveniente reclamar de tudo e todos? Ralham com tudo, culpam a todos e só por meio desse pandemônio conseguem sentir-se vítima; e mais uma vez, só assim conseguir tal explicação de vida frustrada para a bobagem lúdica aludida em tomos religiosos e ideológicos criacionistas que para nada mais servem do que culpar de maneira suave alguém pela existência e nisso sentir-se bem com tudo por não ser satisfeito e não se satisfazer com nada. A frustração não admitida é o mal. Basta admiti-la e tudo se dissipará.

Thursday, January 04, 2007

Ogros

Lá estava o grande fanfarrão com a cabeça descansada sobre o denso galho da enorme sequóia que vira a vida inteira nos momentos de desabafo mudo após os trágicos momentos de felicidade irradiante que houve sempre de cessar abrupta e infelizmente.

Lá, mais uma vez, ciente de que nada nunca tomava a figura da ultima prova, ele pensava e sentia a dureza do galho que servia como um aviso de vida em sua mente, mesmo que precisasse sentir à árvore um sentimento intrínseco a sua própria vida, tamanha naturalidade com que o tempo lhes fez por passados lhes fizeram mais do que simples protagonistas de uma vida, os tornara um. O ogro de sangue e a árvore de sanguínea seiva latente.

Disseram-lhe durante sua última desventura que ele portava-se de uma maneira que não concordava com sua forma. Afinal de contas, ele tinha alguma forma?! Era ele um ogro, sim, de nascimento – abstêmio às classificações formes de ogros com o qual o folclore se firma, ele não parecia com um, pelo menos não fisicamente, apenas na essência e ciência de sua natureza, e talvez – acreditava ele mesmo que os outros dos seus discordassem em alguns momentos – em algumas ações.

Como se davam o direito de duvidar de sua natureza, ele filho de um ogro e de uma ogra, que por isso mesmo cresceu sozinho ao ermo, apenas com a sombra e a dureza da árvore para lhe acariciar. Ele, que sempre matava animais como fazem os répteis, ursos, e leões, com total naturalidade e sem nem ao menos cogitar crueldade, era natural a crueldade, mas não intencional, era simplesmente sobrevivência e deleite.
Sim, sabia que não era verde, sabia que não era tão forte e desproporcional, mas também se julgava retardado e bonachão como os seus. Os céus hão de sempre convir, ou então não era ele um bravo guerreiro da mata e da mortal urbe.

O que lhe haviam dito era tamanha maldade que nessa obviedade já lhe figurava como inverossímil. Não era ele filho de um ogro e de uma ogra? Mas como não? E por que contaram-lhe só agora. Quem seriam seus pais? Oh, havia corrido para longe antes que chegassem a esta parte da história; mas sim, não podia ser real, não era fato, era apenas uma afronta provocativa e cruel, como todas as outras as quais fora submetido pela simples crueldade de seus pais que faziam isso com naturalidade à todo mundo pois achavam isso divertido, mas não, se não eram seus pais; seria ele realmente inato dos que os criaram? Mas eram ogros, e ele também era, sempre fora. Agora longe e na sua confidente que sempre assentia consigo ele rogava por lucidez, também praguejava e queria desmantelar um barril de chopp e sorve-lo por completo em um único gole. Foi o que fez.

Chegou a sua toca em silêncio, pelo menos no mais perto disso que pode um ogro conseguir. Foi até a cozinha e como não ouviu barulho algum no lar deduziu que estava só em casa. Foi até a adega e de lá tomou nos braços um barril grande de chopp. Foi para seu quarto e lá bebeu tudo rapidamente e deitou-se na cama de barro e palha. Quando começava a cochilar ouvir sons na toca e soube que haviam voltado. Foi até a sala e lá encontrou papai e mamãe. Dirigiu-se à eles e enfim:

-Não quero ouvir nada, a não ser o que vou lhes perguntar. Nem mais um quarto de palavra vou ouvir, e nem vocês, por hora. – baixou os olhos com medo dos olhares que sempre eram perversos e inclinou-se a pergunta – Se o que vocês me disseram antes realmente é verdade, então, quem são meus pais?

- Ó, isso nunca lhe escondemos, pensamos que embora fosse novo você sempre tivesse a consciência de que não era realmente nosso filho. Sempre dissemos e o tratamos como tal. Ou você acha que nosso comportamento e linguagem era apenas coisa de nossa natureza? Filho da puta, isso sempre esteve presente em sua criação, não? Pois és de fato filho de uma puta. Essa por sua vez foi morta logo após seu nascimento por seu pai, ele havia deixado a prisão havia apenas 5 horas, em condicional, você foi concebido em uma visita de sua mãe à cadeia. E seu pai estava lá há muito tempo, por motivos de dois dos inúmeros crimes que cometeu. Essa é sua história.

Após ouvir isso o jovem continuou de cabeça baixa e de súbito começou a rir, e mais e mais, ao ponto de ficar sem ar e vermelho – nem quando ria ficava verde, não era evidente que não era filho dos supostos pai e mãe que ali estavam?

-Vocês dois, aqui, me criaram por quê? Pena? Hobby? Criação pecuária humana? Tédio?

- Simplesmente criamos. Filho da puta bastardo! – respondeu o velho ogro sorrindo.

- E sempre me disseram, não? – Sorria – Mas quanto ao engano, o que me dizem?

- Engano? Diga qual!

- Não sou eu um ogro e dos piores? Por minha herança genética, meu sangue, minha luz. Foi me dado o direito de ser tão ogro quanto vocês. Dêem cá um abraço, pois vocês são meus pai e minha mãe. E aqui entre nós. Vocês não são tão ogros quanto dizem...

- Somos sim, por pura diversão acabamos de voltar da floresta, aonde derrubamos sua amiga árvore e a fizemos em pedaços. É tão bom espezinhar você, mas isso é amenidade, voltemos ao abraço, filhote – disse a ogra.

- Certo – abriram os braços e se abraçaram todos.

- O jovem foi até a frente da toca aonde estavam os pedaços de sua árvore e lá fez duas estacas com a madeira e voltou para casa aonde encontrou os pais bebendo, pegou os pais pelas costas, enfiou uma estaca na jugular de cada um sorrindo e depois deu uma cabeçada muito forte em cada um para que apagassem; os dois desfaleceram ali naquele mesmo momento.

- Nunca mecham com a arvore de um humano só. Ainda mais se esse humano tem convicção de que é mais ogro do que qualquer um. O sangue falou mais alto, digo, a seiva. E hoje, habemos churrasco!

Friday, December 15, 2006

Chears!

Deplorável é o pensamento dos crédulos de que Tartufo decidiu viver em definitivo naquele país cinza do velho mundo.
Sem austeridade de limpas folhas, o herói de burgos após demarcar suposta residência européia resolveu excursionar por entre os mistérios do novo iMundo (copyright à parte, a graça me convém) de deméritos infames e anciões, corrente de vaidades lascivas pré-vindas da junção de tudo um pouco de todos e muitos exemplares da pior estirpe de diversos lugares. Cosmopolismo vergonhoso!
Então, Tartufo, antes majestade em sua área, viu que aquele lugar entre mar e lagoa tinha tamanho potencial que se por ali permanecesse tão logo haveria de chegar o dia em que o fedor da pútrida hipocrisia e infâmia dos moradores locais o faria sentir-se livre dos estigmas os quais Molière o subjugara amaldiçoado por entremeio da eternidade - ao detalhadamente expor sua constituição psicológica.
Neste lugar, pátrio de injúrias, pré-conceitos e demasiados outros atributos provenientes da ignorância, qualquer déspota, genocida reformado, filho-da-puta de diversas especialidades per findadas sentem-se em casa. Porquanto, nihil muda na essência existencial deste pardieiro infeccioso e transmissivo tido como península. Pois sim, ai de mim! Contrariá-lo-ei até o fim dos tempos, espírito insólito da hipocrisia! Mesmo que venhas a pretender que por sobre mim recaia o infame manto-de-força da sanidade deficitária.
Visto tudo, na fuga do espírito local – lede Hipócritus – admito quão pitoresco é o local; geograficamente pensando. Mas fede demais o povo. Tartufos potencializados em um milhão em suas almas. Seguidores do orgulho em ostentar ignorâncias várias. Ruminantes diversos do escárnio da desgraça alheia.
Embora nem todos estejam enquadrados neste retrato, ele é ainda fiel a realidade da maioria. Dos que sobram, classificam-se como: Pouquíssimos nobres de espíritos e vários medíocres praticantes da dança da estagnação mental, que em vida rumam constantemente ao lado dos podres.
Oxalá eu estivesse errado. Quiçá fosse engano! Desafortunadamente sabe-se que não o é.
Celebrem com ostras e mexilhões esta infâmia e bradem suas fezes verbais com orgulho e não esqueçam das taças de curare para sorverem e morram nas fogueiras nas quais os poucos que se salvam vos enchergam.
Without Ivory and gold. With a lot of damn bullshit!

Tuesday, October 31, 2006

Gracejos de uma despedida

Aquele era um dia daqueles em que se precisava acordar antes do mundo.
O rosto composto quase que por completo sono desfigurador frente ao espelho lhe dava bom dia e lhe trazia arrependimento por tantas carteiras de cigarro fumadas, garrafas de whisky, lagrimas seguidas por fortes contrações da face, sorrisos desperdiçados com meros ambulantes anônimos que elencavam sua rotina.
Fez a barba com a lâmina acariciando sua face e deixando-a com aparência alva e limpa.
Entremeados por bocejos na expectativa de um gole de whisky fazia a barba, a tremedeira foi tamanha que chegou a cortar-se com a navalha.
Lavou seu rosto como que para esconder sua face e vestir a cara que sua mente pretendia de si. Era de melhor grado.
Foi para a cozinha no silencio que necessitava para não acordar os fantasmas que sua família havia deixado por ali desde a noite anterior quando de súbito foi viajar. Pegou uma xícara de café frio, colocou no microondas e ao retira-la acrescentou uma dose de whisky. O café da manhã de campeão era imprescindível para aquele dia o qual se sabia obstinado há vários invernos atrás.
Sentou-se na mesa e contornando quase meia hora debruçado sobre a mesa com papel e tinteiro escreveu. Pegou um envelope pardo e colocou o anúncio dentro.
Saiu de casa caminhando lentamente pela rua, apreciando tudo o que praticamente havia se esquecido da existência, tal qual pássaros piolhentos que davam esplendidos rasantes; mendigos que não se sabia se estavam vivos ou mortos, mas pouco importava, só serviam mesmo para que o paisagismo fosse mais magnífico devido ao contraste que proporcionavam naquela rua; carros que soltavam fumaça cinza com cheiros desagradáveis que tanto apreciava quando era criança, quase tanto quanto o cheirinho de gasolina ao abastecer; cheiro de gente recém acordada cheirando a estresse-rotina-pressa-preocupação- o qual o fazia rir, pois essa a muito não era uma realidade que conhecia.
Por fim chegou ao final da sua rua, aonde encontrou uma caixa dos Correios aonde depositou aquele pergaminho moderno que havia sido elaborado com a presença de sorrisos, lágrimas, urros e risos consternados sem nenhuma preocupação com o clichê seguido pelos demais como sendo a santa sanidade. Voltou para casa e foi para seu quarto.
No final daquele mesmo dia chegam a casa sua mulher e filhas. Ainda na porta a mulher de conhecimento ostentado com ar de superioridade envolta pela echarpe do elegante anestesiamento de vida se inclina e junta do chão uma carta datada do mesmo dia, de remetente anônimo. Abre-a com certa irritação pelo fator incógnito, retira da bolsa seus óculos enquanto as duas irmãs enfileiram malas pelo corredor – obviamente eram muitas pois havia passado quase 24 horas longe de casa. Três mulheres, suas nécessaires e roupas que deveriam acompanhar o humor que houvessem de portar em cada momento.
Ela começa a ler a carta enquanto um rubor vai tomando conta de sua face, o sangue em seus olhos se aquece, enquanto as duas irmãs percebem, mas dando de ombros continuam na via sacra da futilidade. Então, com lágrimas dançantes e soluços a carta começa a ser anunciada:
“ Não sei quem lê esta carta no presente momento, mas caso seja minha caríssima esposa peço desde já que se acalme e siga minhas instruções. Caso seja minha filha mais velha, peço desde já que devolva a carta para sua mãe pois é falta de educação arrancar coisas da mão das pessoas, mesmo se tratando de sua arrogante mãe. Caso seja minha filha mais nova, gostaria de ter certeza de que realmente és minha filha, mas não o tenho, portanto, que assim seja; devolva a carta para sua irmã mais velha para que esta por sua vez possa devolve-la à sua mãe acompanhada por uma pedido de desculpas que não espero e sei que não haverá de ser sincero pois sinceridade é algo com o qual nunca me deparei na presença de vocês.
Peço que chamem imediatamente nossa empregada, e, por favor, não acreditem quando ela lhes disser entre lágrimas que mantivemos um caso por mais de vinte e cinco anos em segredo, o qual resultou duas filhas – embora seja mentira o que ela lhes contará ainda acrescento que aquelas meninas não são minhas também. - peça que faça a limpeza com esmero e que pelo menos desta vez não me xingue como a um cão. Enquanto ela não chega, por favor, peguem baldes com água sanitária, panos (muitos, muitos mesmo.), e o vidro de chanel nº 5 de minha excelentíssima esposa para expurgar com estilo o cheiro de defunto deixado no quarto, pois aquele poodle que sempre odiei deve estar fedendo mais do que o de costume. Fui embora e não pretendo mais voltar. Pode me difamar à vontade!
Subiram as três as escadas trovejando elogios tais como “filho-de-uma-cadela-puta” “bêbado recalcado” “inimigo dos animais... digo... Veado dos infernos” “maldito desgraçado” “ignóbil retardado!” “Te odeio”. E outros clamores ao suposto fugitivo familiar.
Quando a porta se abre o que se vê é um poodle amarrado pela coleira de um lado da cama e muito sangue, mas de súbito o poodle se acorda e nota-se que aquele sangue não era dele. As três então fazem a volta até o outro lado da cama e encontram o querido e adoravel ente com ambos os pulsos cortados, várias cartelas de remédios controlados esvaziadas e com o crânio perfurado por um tiro.
Nunca se soube se o que se ouviu foram a potencialização progressiva dos gritos de desespero, gritos em constância ou se foram risos e gargalhadas. A mosca não acompanhou a história toda, pois ficou ansiosa para contar a todo mundo o que havia presenciado.

Sunday, October 22, 2006

Descanso

-Já perdi a fala e agora o que me resta é somente a voz do olhar. Já travei meus passos, não sou mais forte, sou escasso, nem ao menos consigo gritar. Meu bom senhor, querido amigo. Não posso mais estar convosco. É passada a hora, só me resta ir embora, ainda no espaço do agora preciso encontrar a luz pra me guiar. Nada posso dizer, mas imploro: Por piedade, lê meus olhos. Eles gritam não vês? Minha voz está toda neles, e infelizmente é a única maneira que tenho para berrar.
Os olhares se entrecruzaram no quarto. Seis olhos. Muitos olhares. Dois olhos castanhos, dois olhos verdes e dois olhos em lágrimas.

- Doutor, faz tempo que eu irmão aqui reside, para mim é estranho admitir, mas com a alma em pedaços agora admito para mim mesma que não há nada a se fazer. A cura não existe. Irreversível é o que é. Vegetas? Vegetal era a violeta que eu trouxe na semana passada para cá. Ele não é mais nem isso. A violeta floresceu, ele nem isso. Ontem a violeta morreu, ele... Nem isso.
- Não posso dizer que imagino ou que sei como se sentes, não seria eu mesmo se o dissesse. Ele sofre nesta morte viva. Você sabe, percebe. Normal você culpar o karma, destino, traços do desenho da vida, acaso, ou até mesmo a inexistente explicação que não se revela, os braços atados e o que mais houver.

Naquele momento a moça triste olha os olhos em água do que estava deitado em gritante sofrimento mudo, então respira fundo. Solta um suspiro da alma, sem nem ao menos perceber, seca o rosto. Arruma os cabelos. Da um sorriso de entendimento ao médico e ao ente. Há tempos não sentia lucidez e leveza.
- Me olhem! Ouçam meu olhar! Cansei de constantemente continuar. Como dizer que “o nada” continua? Nada nem existe, nada não vive! Nada não é nada, e é isso que sou.
Meu único pertence realmente meu dentre tudo o que tenho é a espera. Espero não mais ter que esperar. Tira-me o peso dos ombros. Nem ombros e nem peso sinto. Não sou homem, nem ao menos mito.

O médico consente. O médico deixa a sala.
Agora ali apenas havia os olhos da irmã, e os gritos que piscavam lentamente em desesperada súplica.
Agora ali estavam apenas os lábios e a testa, o beijo. Dois olhos fechados. Agora só um suspiro de alivio.
Dois olhos se abriram uma lágrima correndo, encontrando o lábio que sorria. O outro olhar não mais se mostraria, nunca mais gritaria. Ao som do bip constante do aparelho que em um só toque contínuo revelava que o olhar não se mostrava, pois o coração não mais batia.
Agora e por bem só um olhar que chorava sorria. O outro partira e talvez em seu alívio e descanso, longe da matéria também sorrise.

Monday, October 16, 2006

Doce Fama

Lá estava ela, havia acordado há pouco tempo e agora estava na sacada frente ao janelão que aberto iluminava plenamente bem o quarto com aqueles preguiçosos e envergonhados raios de sol. Mas aquele dia, embora o sol deixasse a cidade bem clara estava frio, ventoso e úmido.
Ela sorria, sentindo o vento em seus longos cabelos pretos, revoltos na liberdade do ar feliz de mais um dia.
Mais um dia feliz, e fazia bem poucos dias que ela começara a sentir-se assim. Nunca houvera sentido.
Sentia-se amada, por saber que agora várias pessoas pensavam nela. Algumas constante e intensamente. Ela agora era parte da vida de muita gente. Nunca antes houvera sido.
Fora criada em uma família desunida, violenta e sem amor.
Pouco antes de ir para a janela sentir o vento e ver que havia começado mais um dia em que ela era quista por várias pessoas desesperadamente; quando acordou viu sangue nos lençóis brancos e se assustara. Dirigira-se frente ao espelho para ver se via em seu corpo algum motivo ou lugar de onde aquele vinho havia saído, porém acalmou-se e sorriu, pois nada encontrou. Foi então que foi para a sacada.
Ao sair da sacada, foi até a mesinha ao lado da cama, abriu uma gaveta de onde tirou três vidrinhos: Um de analgésico, um de aspirinas e um outro de uma amostra grátis que havia pegado durante um descuido na última consulta que tivera com seu médico. Abriu-os e tirou dois comprimidos de cada frasco. Não estava sentindo nada, pelo contrário, estava muito bem, mas previa que alguma dor irritante pudesse vir a lhe atormentar a qualquer hora. Portanto, por que não?
Pegou o copo que estava sobre a estante ao lado de algumas revistas – revistas que tratavam do cotidiano de celebridades. Fofocas – que comprou pensando que nada impedia que ela fosse motivo de alguma matéria em algumas delas. E por que não a capa?
Afinal de contas tanta gente a queria, tantos gostariam de saber mais sobre quem era. Bebeu e engoliu os comprimidos. Tão bonitinhos!
Então começou a se vestir para aquele dia. Frente ao espelho. Admirando a bela face e formas que eram tão desejadas. E cada vez haveria de ser mais e mais. Que deus lhe ouvisse!
Vestiu meia-calça escura, uma saia preta, uma blusa branca com mangas compridas e gola role. Colocou o sapato com o maior salto que tinha – afinal de contas merecia sentir a sensação de elevação. Algo como um pedestal – também luvas pretas com detalhes de strass nas costas das mãos. Ela adorava luvas, pois a faziam sentir-se muito mais segura, mais aquecida. Mais segura, definitivamente.
Foi até a sala aonde se dirigiu direto para o barzinho, pegou uma taça e serviu-se de Martini (com uma azeitona).
Sim, era de manhã, era cedo, mas ela era praticamente uma celebridade, portanto, podia ser excêntrica.
Sorveu o Martini de uma só vez. Sorriu. Pensou. Saiu.
Foi até a porta do apartamento ao lado do que estava e tocou a campainha sem exitar.
A porta se abriu e uma mulher lhe atendeu.

- Bom dia! O que deseja?
-Bom dia! Sou Ofélia, sua vizinha. Me mudei ontem pra cá e resolvi conhecer a vizinhança. Moro no 201.
- Oh, é um prazer! Sou Eneida. Não sabia que o senhor Carlos havia se mudado, mas tanto faz, nunca tivemos contato. E para dizer-lhe a verdade, nunca gostei muito dele. Será bom tê-la como vizinha; espero que venhamos a nos dar bem. Moro sozinha, será bom ter uma amiga por perto.
- Ah, com certeza nos daremos bem – Sorria.
- Já tomou café-da-manhã? Gostaria de me acompanhar?
- Será uma honra!

Eneida fez sinal para que Ofélia passasse para dentro do apartamento. Ofélia foi entrando. Eneida fechou a porta.
- Importa-se se tomarmos o café na cozinha?
- De maneira alguma.

Quando Eneida se virou rumando à cozinha esperando que Ofélia lhe seguisse sentiu que as mãos de Ofélia estavam em seu pescoço. Ofélia apertava bem forte, Eneida relutava desesperadamente e não podia gritar. Ofélia soltou-lhe o pescoço e rapidamente cravou-lhe um punhal de prata nas costas. Deixou-o lá. Voltou a apertar o pescoço da mulher e assim o fez até que dela não ouvia e não sentia nada além do silêncio de quem parte.
- Agora mais gente vai me querer! Eneida, minha mais nova ex-futura-vizinha-amiga, fará companhia ao senhor Carlos no banheiro do quarto dele.

Após algum tempo saiu pela porta de entrada daquele prédio.
Era inverno, mas ela estava com uma alegria primaveril no rosto e qualquer um podia notar.
Estava frio. Esfregando as mãos olhou as luvas e disse:
- Como é bom sentir-se segura.
Abriu a bolsa, pegou dois comprimidos de cada frasco, daqueles que havia posto na gaveta ao lado da cama na noite passada. Tirou também uma garrafinha de whisky – daquelas miniaturas que dão em aviões e quartos de hotel -, tomou os comprimidos com aquele whisky.

Foi direto ao táxi que estava estacionado bem próximo.
- Para onde, senhora?
- Ainda não sei. Vá dirigindo para qualquer lugar enquanto decido.
- Sim, senhora.
- Pode me chamar de... Patrícia. E é senhorita! – Sorriu
- Pois bem, Dona Patrícia.
Você é tão bonito! Já sei para onde ir. Você mora por perto?

Wednesday, September 27, 2006

Café

Aquele sonho lhe dizia expressamente “Não acorde!” e ele continuava mergulhado no irreal por conveniência e descanso. Nem o odor de café forte o tentava com suficiente afinco para realmente tira-lo daquele estado. Sonho.
Para ele sonhar era encarado tal como realidade, mais do que estar acordado. E quem lhe garantia que aquele perfume de café vinha da realidade bostal e não do sonho adorado? Afinal de contas há meses vinha tendo o mesmo sonho e pelo que se lembrava sempre havia o odor de café. Realmente sempre que evadia para a realidade encontrava café fresco e recém passado, o qual bebia com amor, mas aquele perfume era tão bom que no sonho se perguntava:
- O café que tomo quando acordado é bom o bastante a ponto de ser dignamente merecedor da associação com este perfume que sinto?
Foi então que irremediavelmente irrompeu o quarto em que seu corpo se encontrava dormente sua mãe, e o despertou com o barulho que fez ao abrir a janela naquele dia ventoso e o vento e o vento empurrar com força uma folha desta contra a parede. Infelizmente acordou.
-Puta merda! Mais uma vez saí do mundo para voltar a acordar.
-Não ralhe comigo a esta hora, ainda é cedo! Deixe para fazê-lo ao fim do dia.
Ele levanta-se, vai até o banheiro, lava o rosto, volta até o quarto, veste-se e vai ao encontro do café.
Realmente não era real. Era de café aquele odor maravilhoso, mas não daquele. Mas aquele também estava bom.
-Agora acordei de vez – pensou ao saborear os primeiros goles daquele café bem forte, do jeito que o acordava bem – Noite que vem espero conseguir saborear em sonho o café daquele perfume que me seduziu. Talvez assim eu acorde dentro do sonho, e daquele mundo jamais torne a sair.

Sunday, September 24, 2006

O quadro da névoa

Ela corria apressada com a pressa de quem precisa esquecer. Ela perdia o ar, mas continuavam na dança das lembranças com as quais não conseguia mais conviver.

Era tarde. Noite feita. Ninguém pela rua, só o sereno. Caso ela fosse vista de longe, lhe serviria como adorno – seria perfeita para um quadro em névoa, se fosse pintura - mas era apenas angústia, nada mais.

Agora sobre a ponte, grande ponte de se ultrapassar, como ritual ela escolheu a obra colossal, como se a ultrapassando, os seus limites os seus medos que a estavam sufocando lhe deixassem por permanecer do outro lado. Teriam eles o medo do que havia por debaixo da passante.

Tudo agora já parecia distante, tudo a que ela se apegava crendo que assim deixaria o mal no passado, engano, ainda estava com o enorme fardo.

Se é que mortes transcendem culpas, ela tentaria; se é que cansaço ultrapassa razão, ela saberia; se é que angustia passa com o tempo, com isso ela não mais se enganaria.

Estava só. Há muito não ficava assim. Estava mal, mas se alguém estivesse por perto seria por pouco tempo, pois ela não iria suportar, haveria de fugir e de qualquer maneira, qualquer meio que pudesse percorrer paralelo a escolha daquele momento levaria ao mesmo caminho, não havia destino diferente dentre todos os possíveis.

Assim mesmo, ela que em nada se segurava a crer, pensava agora que tudo era parte de um jogo de cartas marcadas automaticamente muito antes de alguém pensar em nascer, muito antes de qualquer coisa ocupar lugar. Existência.

Todos se prendem à vida através de fé. Isso ela não tinha, agora longe daquela ponte agonizante, já perto das águas mais a seu nível, na beira do mar da sorte ela percorria o caminho tortuoso e errático que levava ao mesmo caminho que todos os outros, ao mesmo lugar. Não haveria de ser diferente, a menos que ela não fosse ela mesma e num piscar de olhos se tomasse em outra mente, outra vida, outra personalidade. Isso é, sua salvação apenas existia num sonho infantil, numa utopia que ela não ignorava, até pensava, mas sabia totalmente que a isso ela não poderia se apegar.

- Como é que as pessoas convivem umas com as outras? Muitos lidam bem com a morte, isso eu até entendo, mas como lidar com a vida? Nisso eu não me fixo, não pertenço, não me reconheço – dizia ela em voz alta pra si mesma.

Mais próxima da água ela andava, a sorte lhe molhava os pés, mas não lhe convidava a si. Seus pensamentos faziam ondas intensas, ela estava mais tensa. Estava cada vez pior, cada vez mais humana. Cada vez mais temida por si mesma.
Continuava a corrida. Inesgotável até ali. Ofegante, mas firme, nem um pouco hesitante. Ela só tinha a ela mesma, suas lembranças, seus horrores, a sorte a molhar seus pés e o terror de continuar daquele jeito. Mais por dentro da água, com até a cintura já coberta pela sorte ela continuava, incansável, mas não passava, queria um fim para aquilo, mas ainda a água era demasiada rasa.
Corria mais, quanto mais difícil fosse mais força aparecia inexplicavelmente para ser usada e, então, ela caiu.

Algumas bolhas na água, e o horror passou. Não vejo mais nada. Só a sorte pura ali está, mas ninguém por cima ou nela sendo vista a trafegar.

Saturday, September 23, 2006

Sem última companhia


Ele entrou na sala, era tarde, seu típico andar ritmado, havia dado espaço sem que ele percebesse a uma postura curvada, arrastando as pernas com força, tentando vencer o cansaço. Lúcifer mal o olhou; isso era estranho, era tão apegado ao dono.

Acendeu uma vela, estranhando sua própria postura contra luzes artificiais, como sempre fazia; sempre estranhava a si mesmo em algum momento, e por algum motivo, que normalmente nada eram além da busca de razões para auto-penitência depois. O depois chegou.

-Lúcifer, por que não veio a mim quando cheguei?

O olhar de Lúcifer dizia a ele que o motivo era cansaço, Lúcifer talvez tivesse se cansado demais durante o dia atrás de alguma presa, alguma perna de cor, alguma roda-viva que transitara por ali. Mas ele não ouviu o que aqueles olhos que sempre foram fiéis a ele lhe disseram.

-Lúcifer, por que não vens agora a mim? – dizia com um sorriso de canto enquanto abria uma garrafa de um whisky vagabundo de marca que não merece vir a conhecimento, o qual comprou como sendo whisky artesanal. Agora ralhava contra si mesmo mais uma vez por ter acreditado em tamanho absurdo. Os absurdos consentidos são sempre mais leves, mas sempre piores.

Lúcifer permanecia parado, apenas olhando de baixo, com apego e ao mesmo tempo indiferença – Lúcifer era complicado, quase tanto quanto o dono - o cansaço também estava lhe pesando as feições, e ele não relutava em esconder isto.
O whisky fluía por sua garganta e a anestesia das emoções do dia lhe começava a efetuar o objetivo.
Então, batendo com o copo fortemente na mesa disse:

- Cansei Lúcifer, há muito que você é o único com quem posso contar, mas agora não me tens mais aqui, ou não lhe tenho mais aqui! Não sei o que acontece. Não somos mais a mesma unidade - Parou por um segundo, vislumbrou de canto de olho o lume da vela e então continuou.

- Lúcifer! Não vou mais lhe evocar quando chegar! E também não quando sair!

Só agora via que estava mais só por que o cansaço, coisa infame, o afastara de quem era a única companhia que pensava ter: Lúcifer.

Agora nem Lúcifer lhe era companhia, e se assim era, talvez nunca o tenha sido.

Thursday, September 21, 2006

Solando em sol e lua

Solícito, o solista soltou seu som longe do sol.
A lua lhe havia pedido uma melodia
O som fluía, janelas se abriam.
Pessoas gritavam, enlouqueciam.

-Porque tanto alarde, ser de vida vadia?!
-Não percebes o quão já é tarde? Antes eu dormia.

O solista não se importou, olhava a lua que lhe agradecia, sua luz aumentara, o solista sorria.
-Esta luz não é minha, caro solista, o sol que me empresta; ele só aumentou a intensidade porque seu som o deixou em festa. Quis que eu lhe iluminasse mais. Mal sabe o sol o tamanho da luz que você e sua arte possuem.

Mais janelas eram abertas, e mais gritos de pessoas alertas:
-Cale-se!
-Bravo!
-Como é linda a canção!
-Filho-da-puta, não percebe que horas são?

Então, o solícito solista entristeceu a lua e o sol: Parou de tocar; o povo parou de gritar.

Ao caminhar, foi tocado no ombro. Lá estava a calejada mão de um sujo senhor, um mendigo de bom coração.
O solista o viu, e percebeu que seus olhos estavam cheios de lágrimas.
-O que houve caro senhor? Sentes dor?
-Sim, há muito tempo não me sentia feliz. Hoje fiquei feliz, e como há muito tempo não sabia o que era sentir-se assim até doeu. Várias noites na rua viví, mas só hoje realmente estive vivo. Hoje foi a única noite que terei orgulho de lembrar-me enquanto eu existir

O solista impressionado olhava e ouvia, enquanto o velho prosseguia:
-Esqueça-se de mim, mas nunca mais deixe de alegrar o sol e a lua. Não se importe com quem reclama, são mais infelizes do que eu que vivo na rua.





Quem costuma ler meu blog (se é q alguém costuma fazer isso) já deve ter notado que eu peguei mania de procurar alguma imágem que tenha algo a ver (ou não) com oq escrevo, daí hoje, no google images achei essa e adorei, tudo a ver com o bagulits q escrevi.

Zleepwalker, keep living!

Wednesday, September 20, 2006

Reflexão do só

“Todas as faces são iguais”. Pensou em voz alta o espelho do velho e eterno eremita.
- Mas porque pensas assim, caro companheiro, EU em avesso?
- Pois são e é verdade!
O eremita para, reflete, enquanto o espelho também parado reflete.
-Essas rugas sob seus olhos são por culpa da luz, odeias o sol, te escondes aqui, és covarde!
- Não, minhas rugas são culpa do tempo. Ele passa.
-Sim e com ele vários sóis vêm e vão.
-Não, espelho. Há apenas um sol, ele se põe e depois regressa.
-Sei que são vários sóis, o que acontece e lhe confunde é que as faces dos sóis são todas iguais.
-Ah, espelho tolo! Porque lhe dou atenção? Nada sabes. Daqui jamais saísses!
-Caro velho. Eremita ancião; seus brancos e longos cabelos não são tão brancos quanto a folha de papel em branco que tens no lugar do que deveria ser sua memória. Algum dia fui trazido para cá, ou não?
-Cale-se, pois sobre nada sabes, apenas imita o que lhe passa pela frente. É praticamente um inútil truão.
-Sim, o truão que alimenta sua vaidade, o que lhe mantém vivo. És igual a todos aos quais evitas. Matéria de vaidade. Todos com a mesma face!

O eremita paralisa-se e em um impulso muito rápido da um soco, assim, fragmentando o espelho em várias partes.
-Viu? Você não é nada! – Diz ofegante e satisfeito o eremita.
Então não havia mais uma voz de espelho, mas diversas vozes vindas de diversos eremitas pelo chão, dizendo: - Sois vários, mas todos iguais. És vaidade, nada mais do que um mortal.

Monday, September 18, 2006

Desconhecidos

Sérgio - Escuta aqui guri: Eu sou de um tempo onde se respeitava os estranhos e não se agia de maneira tão imatura e dispendiosa
Maurício - Meu senhor, apenas fui eu mesmo ao passar por ti e não lhe olhar, fiz isto por piedade, pois sei que meu olhar poderia feri-lo
Sérgio - Oh atualidade, oh modernidade tão idiota e utopicamente auto-suficiente. Por que negas o olhar e o acenar de cabeça a um estranho.
Maurício - Meu senhor, pra começo - meio- de conversa, nem sei por que estou conversando com você, fui ensinado a não ter para com estranhos.
Sérgio - Pois isso demonstra que à você falta maturidade, falta crescer.
Maurício - Não, nego isto que dizes a mim; pois muito já cresci, ainda mais por ter crescido por mim mesmo, sozinho.
Sérgio - Sozinho por que quisestes caro jovem.
Maurício - Não, porque não tive alternativa, estava acompanhado pelo nada, nada além de mim mesmo durante todo meu crescimento.
Sérgio - E porque então nunca deixasse que algum suposto estranho se transformasse em alguém conhecido, alguém próximo.
Maurício - Senhor estranho, senhor desconhecido, talvez você não esteja me reconhecendo, mas só me explique uma coisa, só uma: Porque não quis ser meu pai, sem nem ao menos me ver crescer, me conhecer, saber se eu seria bom ou mal?
Sem resposta alguma parte o adolescente por entre uma multidão igual dantes ao ter esbarrado o estranho, e perde-se para sempre, e nunca mais voltaram a se cruzar.


=>O nome das personagens foi colaboração do Biel, pq não sei dar nome a personagens. Sou limitado em nomenclatura. Por favor Biel, me diz oq tu achou dessa merda de dialogo!

Sunday, September 17, 2006

Força!

Agora o vampiro/elfo não teme mais seu próprio olhar, e confia mais em seu senso atávico, não desconsiderando a lógica humana, mas usando-a em reforço da primeira sensação, do bom senso que meu espírito errante transita.
Atendendo e usando a lição dos cíclicos e permanentes.
Abandonando a infame postura de guarda protecionista, para passar ao posto de portador, dono de si e de seu próprio rumo, independentemente do pensar e do foco dos olhares da figuração humana medíocre que circunda aos borbotões a espera de quedas para se sentirem menos ínfimos, quando na verdade não o deixarão de ser, pois quem é elevado cai, mas tem na própria natureza a magia de elevar-se com força maior ainda que de antes.
Olhar alto, nariz empinado, cabeça sobre o pescoço, assim me portarei em definitivo, enquanto outros, – sabe-se que em francês pescoço tem o mesmo som da palavra cu em português- enquanto outros têm seus suas caras de cu sobre seus pescoços (lembre do francês e ria da redundância.)
Mais uma vez passei do abismo que parecia ser inalterável e definitivamente final, para o estado de estrela no pedestal inatingível, e assim estou, em definitivo. Bem, estou bem. Queres-me bem? Queres-me mal? Posso ser mau.
Piso docemente sobre uma pedra no meu sapato, esperando que docilmente este pobre coitado se limite a sua infelicidade em silencio sem querer expandi-la e transmiti-la a outros.
Minha infância me veio em mente tanto que minha mente flui agora em turbilhões de pensamentos e sentidos de lições de moral que não eram lições de moral intencionalmente dadas, apenas coisas que presenciei, mas que na hora apenas vi, senti, mas não absorvi; e agora me dou conta do quão significativos foram os ensinamentos silenciosos pelos quais passei, e estes quais não passaram, continuam na minha mente.
Anjo/elfo/Diva me espanca com realidades que na hora me chocam, mas que depois me fortalecem de maneira descomunal, obrigado por existires, e parabéns.
Sei agora mais do olhar do que poderia ver, vejo mais do olhar do que podia olhar outrora com meus olhos.
Fez-me ver que a derrota é plausível, quando por fraqueza diante de algo que se tentou; mas que a desistência de algo a que nem se integrou para tomar conhecimento e controlar a situação (própria vida) é coisa de frouxo. Cuspamos na cara dos frouxos!
Saberei o que os outros pensam por detrás das mascaras, temos mais poder, nossa vulnerabilidade é nossa maior força.
Sim, é muito mais forte o mal que derruba uma construção com mais velocidade do que ela foi construída. Mas definitivamente é mais forte quem se antepõe aos presságios dos antagonistas, figurantes de quinta que enchem lingüiça no roteiro e elenco do que se chama vida.
Um brinde ao poder do saber e do auto-conhecimento!
E, parabéns, minha família. Anjo/elfo/diva...



Monday, September 04, 2006

Quem escreve é a vovozinha...

O que fazer quando os méritos de seus ideais, suas transmutações literárias, suas benfeitorias e alucinações gráficas não são creditadas a você?
Oh, as idéias não se parecem com você; oh, seu estilo literário não lhe cabe no espaço de sua etariedade? Será que sois um E.T., ou algo de novo tão bizarro quanto – sim, todo o desconhecido é bizarro, ao passo de que é temido – ou quem sabe sois muito bem sucedido no mimetismo que lhe foi ensinado pelos animais para que você se defenda?
Fico com a ultima alternativa, e muito entusiasmado, pois, com absoluta certeza a inquisição das mentes não me transformará em ornamentação residencial de parede em cruz. Não serei o novo supra Super Star de lares, e nem uma versão high tech power do dito-cujo. E então a ira do desmerecimento interpela-se e migra para o posto de orgulho e sentimento de trabalho de vida bem elaborado.
-Querida professora... ahhh, não vou fazer isso.
Quimeras se passarão, escritos serão lidos, idéias colocarão em tronos e em cárceres seus difusores e criadores, mas mais bem sucedidos serão aqueles cuja vida não condisse com a obra idealizada. Assim, nos sentimos talvez como os inventores de uma máquina de primordial funcionamento e igual complexidade ao ver que meros mortais tentam aprender seu engenho, damos pinceladas iniciais em telas em branco para que dali se elaborem obras de arte, mas não as fazemos por completo, somos mais do que isto. Damos a vida, mas não dizemos como vive-la, tal Deus. Como já anunciei, sou Deus. Pelo menos posso dizer que: Eu também sou Deus. Você não? Pobre coitado sois; tanto com resposta para concordar ou para se opor. Este meu jogo é perigoso, então o ignore, ou arrisque-se nele. “banque” se tiver o devido cacife. Mas, a loucura pesa muito e o corpo é vulnerável demais para carregá-la. Muito mais forte é o corpo de um insano do que o de um halterofilista. Se não houve a pretensão de bancar, mas também houver algum interesse de ser parte integrante da cena, então blefe, é sempre de belo resultado quando bem feito, disse quando-bem-feito.
Alheio às delongas. Mais calmo pela afronta. Alegre pela sombra que me protege. Ainda com o mesmo ideal, talvez mais fortalecido depois de hoje. Far-se-á agora na minha certeza a solidez completa da idéia do super tornar-se realidade.
Talvez o prelúdio do texto devesse ter sido: Sou demasiadamente feio, bonito; forte, fraco; doce, mentolado; sincero, político; quieto, profusamente gritão ideal... Seja como for, está tudo funcionando, minha idéia de fama só exige fanatismo de mim mesmo. Então estou contente.
Deixem os leões entrarem, Roma continuará a beber sangue pelos olhos, o vampirismo popular necessita. Embebedem suas crianças com a caixa de cores mágicas, da-se como inimigo de seus filhos, mas sempre há uma bactéria mais forte do que a massa que se mortifica para evoluir e aprender que o antídoto não prevalece, e que depois risoriamente parece mais um placebo inútil. Assim são as idéias de que tem consciência de todas suas almas dentro de si. Assim são os humanos merecedores da vida, os intensos, os que realmente vivem. Tão queridos pelo mundo. Este mundo somente para loucos e Raros!


Em silencio penso: Agora as luzes diminuem agora a cortina começa a cerrar-se enquanto reverencio agora as luzes se apagam por completo e ao seu fim a cortina já terá inteiramente se fechado. Nisso, volto à cochia, e quando sair daqui ninguém ligará a personagem ao profissional.
Merda!
Quebrei a pernaaaaaaaa!!!!!
Merci!


Atenciosamente, a vovozinha.

Saturday, September 02, 2006

?Mão na consciência!

Temos que superar, superar nos levantando para o próximo e eminente tombo.
Assim, a roda viva flui, tende a se repetir e se qualquer um se permite, acaba por se inozar por completo e perder os movimentos, ficando apenas na névoa da auto-piedade e lamento.
Somos o prato servido na tristeza de banquete, somos o alvo mais atingido pela discórdia trazida pelo tempo e pelos maus agouros da perda.
Perdemos, caímos no fundo do poço, nos erguemos, mas quase sempre voltamos a imergir antes mesmo de nos tomar como a salvos da queda, pois ela não tarda e também não falha.
O apego geralmente nos é natural, mas, há poucos, os poucos e raros que não conseguem tanto se doar aos afagos dos seres, exatamente por preverem a despedida indireta que poderá acontecer no futuro, à falta que o ser fará no futuro, o vazio e o nada – além de lembranças- que serão deixados pela pessoa, ser.
Quiçá o “por vir” fosse sempre tão ameno quanto nas histórias lúdicas e utópicas as quais idealizamos quando crianças. Quisera ter a total noção e controle dos fatos sucessores do instável presente. Ah, se tudo fosse de acordo com as regras do agrado, do doce querer, do feliz viver (utopia).
O peso do perdão nos deturpa os sentidos ele é demasiadamente maior do que podemos suportar então este sobrepeso nos danifica a alma, caleja e agride o senso humano. Nesses pontos, avaliando o medo da perda e o peso de perdões concedidos e ganhos, perdemos muito da essência humana, ficando aprumados no sentido e direção de metamorfar-nos em zumbies, humanos espírito-de-porco, seres vis, sem sentimentos puros e somente os que são ornados de subliminaridades em letras miúdas.
Como seria bom, como seria fácil, como seria de bom grado: Ser forte. Quase ninguém é, vários de nós são de corpo, e pobres de força de alma, somos enigmas que não se sabem. E apenas em momentos de provações exibimos boas partes de nosso potencial de força.
Então, por-nos-emos à prova, ou então negaremos nossa real força e assentiremos com o tempo a passar e nada de nossas vidas a se mostrar?










Mãos à tela!














Que os loucos e raros perdurem...

Friday, August 25, 2006

...

A letra na parede!
Por onde anda você?
Pensei que submersa na minha incerteza
Pensei que não serias mais a mesma
Passados estes anos,
Ainda lembro do seu jeito
Ainda maquino contigo os mesmo planos
O Plano principal de vencer no duelo,
De ver o cansaço tomando distância logo
Aquele tratado de levantar o rosto aos ventos
Sentindo que a existência acaricia a fronte
Sabendo que os momentos são iguais apenas no fato de serem únicos
Lembro dos passos lado a lado
Parece que estas a meu lado
Avisto seu sorriso em qualquer lugar
Queria não lembrar do dia em que escondida estavas a chorar
Não culpo mais o sopro do teu fim, mas dói ainda
Tua voz me faz companhia, mas queria tua mão na minha
Me sinto um tanto errante, quase completamente,
Sei que sou inconstante, quem entede?
Você entendia, minha vida vivia
E eu vivia a sua, era uma só. Era a melhor
Minhas pernas não se agradam de andarem por mim
Meus olhos queimam com tantas cenas cruas
Minhas mãos tremem e não sou mais criança
Me sinto ridículo sendo tão vulnerável em alguns momentos
Sabe, tem horas em que me sinto forte, mas, mudo muito
Estou tão diferente de mim, de como era pra ti
Tento não sonhar com o regressivo curso da vida,
Tento enfrentar o futuro, o passado do mais além.
O presente ausente no agora, pronto, passado.
Queria ouvir Here there and Everywhere mais uma vez nos teus olhos
Queria me chatear uma única vez quando me pedisse para que eu te penteasse
Quero agora, tentando firmar toda a força que tenho n’alma,
Querer apenas fazer o que seja certo.
Queria poder contar com sua ajuda,
Mas a lembrança do teu sorriso, das tuas palavras, da vida interminável
Que ainda permanecem, assim como luz de estrela, deixadas por ti me acalmam
Os passos tendem a ir para algum ponto, algum destino
Vou lembrar do seu caminho, da partida interminável que continua sob a chuva
Nos risos trêmulos para tentar finjir não sentir a dor, mesmo sem ar
Quantas foram as horas em que te fiz bem? Menos do que as vidas que você fez a mim
Não sei lidar muito bem com as pessoas, tenho medo delas, e um pavor de perde-las
Acho que ririas de mim se me olhasse agora. Não sou um bom seguidor da tua luz, sou totalmente turvo. Mas minha mente tem tua luz, podes ter certeza, mesmo que viva na lembrança.
Agora tremo e queria parar de escrever, mas são tantas as coisas que queria poder te dizer, neste momento não me sinto sozinho, mas gelo ao pensar em voltar a ficar.
Sabia que eu não acreditava em anjos? Sabias que ainda não admito que acredito? Mas o que é então?
Poucos dias após tua viagem, escrevi uma carta pra ti, não sei aonde foi parar. Hoje acredito que você a leu, e que levou contigo, transformou-a em luz e a guardaste na sua força.
Não me pego mais chorando de dor, só na dor de tentar não te decepcionar
Por isso que talvez eu continue a lutar. Não só por isso, também não só por ti, sabes.

Lembro incessantemente:

“To lead a better life I need my love to be here...
Here, making each day of the year
Changing my life with a wave of her hand
Nobody can deny that there's something there
There, running my hands through her hair
Both of us thinking how good it can be
Someone is speaking but she doesn't know he's there
I want her everywhere and if she's beside me
I know I need never care
But to love her is to need her everywhere
Knowing that love is to share
Each one believing that love never dies
Watching her eyes and hoping I'm always there
I want her everywhere
and if she's beside meI know I need never care
But to love her is to need her everywhere
Knowing that love is to share
Each one believing that love never dies
Watching her eyes and hoping I'm always there
To be there and everywhere
Here, there and everywhere”


I’ll be with you here, there and everywhere.
Mother,
father,
only family,
my everything.